quarta-feira, 10 junho , 2026

A inevitável ‘uberização’ dos serviços

 

Regionalmenteo serviço que mais é discutido é o de transporte de passageiros, de um lado tem-se a categoria dos taxistas que se dizeminjustiçados pois perderam muito mercado e estão tendo dificuldades de competirneste novo cenário, no outro extremo, os motoristas por aplicativos que buscama segurança para trabalhar legalmente sem riscos. E no meio disso tudo, fica apopulação que espera ter acesso a serviços de qualidade e com valores justos.

 

Já acompanhei muitas discussões, principalmente durante entrevistas emrádios, em que o principal motivo apontado para escolha de um serviço emdetrimento a outro era o valor cobrado, porém, este é apenas um dos pontos quesão considerados. Muito além do quanto irá ser pago por uma “corrida”, opassageiro espera encontrar um veículo em boas condições, limpo e sem cheiro de“cigarro”, de preferência que tenha ar condicionado, um motorista cordial eeducado, e o mais importante: a facilidade de usar o serviço.

 

No que tange a facilidade basta comparar como era no passado e como éhoje. Há alguns anos era necessário fazer uma ligação para uma “central” ou uma“cooperativa” e solicitar um carro (obrigatoriamente precisava conhecer osnúmeros, imagine como isso era complicado quando estava viajando e não possuíaestas informações), explicar onde você estava, encontrar pontos de referências,e depois “torcer” para seu veículo chegar sabe-se lá quanto tempo depois. Hojecom dois cliques você chama seu carro e instantaneamente sabe quando chegará,quanto custará e o tempo do trajeto até o destino final.

 

Há ainda um outro ganho neste processo todo que na maioria das vezes nemmesmo é citado, a avaliação instantânea que ocorre mutuamente. Tanto omotorista quanto o passageiro pontuam um ao outro de forma que, ambos terão aolongo do tempo uma “nota de reputação”, e os que não respeitam as boas normassociais serão penalizados na sua avaliação de modo que poderão inclusive seremexpulsos da plataforma.

 

Se faz necessário reforçar que estas discussões recentes vão muito alémde uma simples marcação territorial entre taxistas e motoristas de Uber, porexemplo, mas sim, é a ruptura de um processo de poder antes concentrado na mãode poucos grupos corporativistas que dominavam a distribuição de serviços,produtos e informações, de acordo com suas vontades, e claro, definindo oquando seria cobrado uma vez que não haveria concorrências de verdade.

 

Nesta nova conjuntura, o que mais assusta estas classes e o fato é ofato do consumidor passar a ter o real “direito” de decidir o que e de quemcomprar, e em muitos casos até mesmo definindo o quanto está disposto a pagar.Sem contar ainda, que inevitavelmente acabou sendo “eliminado” uma serie deatravessadores e distribuidores, pois tornou-se possível colocar frente afrente o produtor e o consumidor final. 

 

E antes que me acusem de ser um defensor de motoristas por aplicativos econtrário aos meios de transportes tradicionais, quero deixar claro que apenasestou tentando retratar superficialmente o que está ocorrendo. Pois, se não émais necessário uma cooperativa de transporte, uma vez que o passageiro contratadiretamente o motorista, fenômeno parecido também está ocorrendo em outrossetores como: hotéis que estão perdendo clientes que optam em contratar umquarto diretamente com o proprietário de imóveis residenciais; agências deviagem que se viram obrigadas a se especializar mais em entregar experiências, jáque a venda de passagens está a um click nos smartphones; bem como no comércio,na educação, na área de alimentação, etc. Estes são apenas alguns exemplos dos muitosexistentes, e dos tantos outros que ainda serão criados.

 

Todos têm o direito de não gostar ou de não concordar, mas não podem negaro que está acontecendo. Uma evidência clara deste “novo mundo” é que inclusiveum novo termo acabou sendo criado, a “uberização”,cujo conceito refere-se a um modelo de negócio baseados em como um produtopassa a ser ofertado através de um serviço.

 

Muito ainda veremos de manifestações e pressões políticas tentandobarrar as novas tecnologias e suas vantagens, e certamente algumas “evoluções” atéserão proibidas por um tempo ou mesmo impedidas de funcionar, mas outras virãoe vencerão, pois foi-se a época que o consumidor era apenas um agende passivo e“Pagador de contas”!, tudo isso graças a criação da internet e popularizaçãodos smartphones.

 

Quem não entender isso, é bom ir ligando seu “cronometro regressivo”pois seu “tempo esta chegando ao fim”!

 

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